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VÍCIO EM PORNOGRAFIA E SEXO PERFORMÁTICO
SEXO PERFORMÁTICO E O VÍCIO NA PORNOGRAFIA
Não podemos negar que vivemos na era do midiático, do estético e na era em que temos que postar fotos no Instagram pelo menos uma vez na semana para não cairmos no abismo do esquecimento; postamos todo o nosso dia a dia, desde a primeira xícara de café antes do treino, ao almoço que tivemos, até a série que assistimos no final do dia. E se tudo que vivemos vira mídia e estética, por que com o sexo seria diferente?
E se não bastasse as nossas segundas feiras virarem performáticas e aesthetic também temos acesso a todo tipo de informação e a todo momento, mas isso não significa que procuremos ela. Na maior parte dos casos o nosso primeiro contato com a nossa sexualidade vem na forma da pornografia e filmes adultos e se tivermos alguma educação sexual esta se limita à transmissão de IST’s e gravidez (o que não deixa de ser igualmente importante!).
Mas e o prazer? Como podemos aprender o que é prazeroso ou não, para nós e para os outros? Já que vivemos de imagens e aprendemos pelo visual, procuramos por referências que nos mostram (e não digam) “Isso tá gostoso, continua, é assim que é pra ser feito!” a indústria pornográfica acaba virando uma aula online de prazer e como “fazer gostoso”.
E se a indústria pornográfica é um EAD, então seus alunos deveriam ser expulsos. Usando a pornografia como referência de como transar, traz consigo alguns problemas, não só para o próprio consumidor mas também para as pessoas que se envolvem sexualmente com essa pessoa que acha que a vida real é um filme; primeiro porque durante o sexo não vai haver conexão e apenas a reprodução do que foi visto em um vídeo e que a pessoa teve tesão. Ou seja, o momento de conexão, prazer e intimidade vai ser recheado de caras e bocas, gemidos falsos e muito provavelmente estímulos que podem não ser bons para nenhum dos envolvidos.
Isso porque a encenação na mídia pornográfica é repleta de posições desconfortáveis, mas que são ótimos ângulos para a gravação, movimentos bruscos e envolvendo apenas penetração. Considerando que 70% das pessoas com clitóris precisam de estímulo clitoriano para ter um orgasmo, pode ser que muitos dos gemidos envolvidos sejam apenas a atuação (que é exatamente o que ocorre quando falamos de um filme). Além disso, a indústria também é irreal para pessoas com pênis que se comparam com uma transa de 40 minutos sem a ejaculação, sem ficarem “broxas” e ao mesmo tempo tendo, o que eles querem vender, como o apogeu do prazer (sim, durante 40 minutos ininterruptos).
Porém, o que não podemos confundir é a performance sexual que vemos na indústria pornográfica que é apenas por entretenimento afim de criar uma narrativa e uma fantasia, com quem se está se envolvendo com performances sexuais como role-play, fantasias, dominação etc, que abrangem conhecimento, consenso entre todas as partes, respeito e limites.
Também é importante ressaltar que cada pessoa tem um estímulo diferente, sente prazer de uma forma e não devemos generalizar a forma de se “ter o orgasmo perfeito” se baseando em filmes pornôs, justamente porque cada pessoa é única e também seus prazeres, desejos e necessidades, ou seja, sinto em lhe informar, não existe cursinho preparatório para se tornar o rei ou rainha do sexo.
Diversos artigos científicos e especialistas tratam a performance pornográfica no sexo corriqueiro e o vício em filmes adultos como um transtorno e um vício e pedem para que seja procurada ajuda; portanto, caso você continue perpetuando as ações de uma mídia fictícia em suas relações reais, você pode procurar ajuda de um terapeuta sexual, conversar com seus parceiros e se aprofundar mais sobre sua própria sexualidade.
Lembrando também que as consequências no vício da pornografia são reverbarizadas para todas as pessoas, e problemas de auto estima, insegurança na hora do sexo, ejaculação precoce ou retardada podem ser resultados da performance sexual, então procure ajuda e lembre-se, o sexo só é gostoso quando é gostoso para todas as pessoas, então vamos ao clímax!